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		<title>Mon Coeur Sauvage</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 23:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Estrangeira Giordana Maria Bonifácio Medeiros Eu já vivi aqui. Lembro de correr por estes vastos gramados, de pisar esse solo vermelho que penetrava em minha pele. Eu era dessas longas avenidas, onde muitas vezes corri, nos feriados e fim de semanas em que destituíam os carros do poder de trafegar por elas. Lembro-me de tudo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1412&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2012/01/images1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1413" title="images" src="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2012/01/images1.jpg?w=690" alt=""   /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>Estrangeira</strong></span></p>
<p align="right"><span style="color:#0000ff;">Giordana Maria Bonifácio Medeiros</span></p>
<p style="text-align:justify;">Eu já vivi aqui. Lembro de correr por estes vastos gramados, de pisar esse solo vermelho que penetrava em minha pele. Eu era dessas longas avenidas, onde muitas vezes corri, nos feriados e fim de semanas em que destituíam os carros do poder de trafegar por elas. Lembro-me de tudo, desses blocos em que caminhava levando nas costas muitos sonhos e no coração um pavor enorme. (Medo de quê, afinal?). E tudo era tão belo, ficava abismada com o futuro que parecia brilhar aos meus olhos quando o presente se fazia longo demais. Acontece que o futuro será presente, mas o presente só pode ser passado. Assim, acabo por concluir que o futuro verdadeiro, aquele que esperava ansiosamente, nunca chegou, não para mim. E os sonhos morreram, pereceram por falta de uso. Mas continuo transportando-os nas costas. Velhos esqueletos, que trago comigo. Fantasmas que me assombram. Uma lembrança triste, do que poderia ter sido, mas não foi. Estranho, não é? E passando pelos lugares em que a vida aconteceu para mim, vou recordando as feridas que fiz aqui e ali. Também as trago comigo. Estão todas marcadas no espírito. Já disse que apesar de não possuir quaisquer tatuagens na pele, as possuo na alma?  São marcas de algo de que queria muito esquecer. Porém, queimaram-me na pele certas dores com ferro em brasa. Jamais serão apagadas de mim. E mesmo que há muito tenha deixado esses espaços, parece que ainda me vejo caminhar por essas esquinas. Como se o passado pudesse ainda estar presente, mas agora sou apenas uma forasteira. Não sou mais deste solo, estrangeira na minha terra natal. Sei que os amigos que fiz dispersaram-se por esse mundo. E vez ou outra os reencontro, mas não são os mesmos. Nunca seremos. A vida muda a gente. De repente somos outros. O tempo transforma o que somos, as lágrimas endurecem-nos o coração. E já não somos mais quem fomos um dia. A mentira que nos contavam era que o futuro nos libertaria, mas acho que as águas que passaram sob a ponte me perseguem. E ainda tenho saudades dos risos, dos abraços, dos olhos que faiscavam diante das inúmeras possibilidades que brilhavam tentadoras. E tudo que restou foram essas malditas lembranças. E o amor que ficou em algum lugar nesse coração estilhaçado. O futuro se mostrou uma bela miragem, nesse deserto de sentimentos. A solidão ainda me acompanha, às vezes penso que só posso contar com ela. Tiro os sapatos para sentir a grama verde da primavera. E quando deixávamo-nos estar sob essas árvores frondosas, na sombra acolhedora da juventude? Jogávamos xadrez e cogitávamos realidades absurdas. E creio que meu coração foi sacrificado naquele tabuleiro. A partida foi inevitável. Algumas pessoas marcam nossas vidas. Mas são muito poucas aquelas que seguem conosco realmente. O mundo é feito de momentos. Nem sempre as amizades perduram, a maioria das vezes, elas desfazem-se nas águas límpidas do tempo. E nesse ambiente em que me conheci tão profundamente, sinto-me estrangeira. Já não posso entrar simplesmente na escola onde amadureci. A vida deslocou-me no mundo. Nem sei se ainda pertenço a algum lugar. Estou perdida, sem saber a direção que devo tomar.  Volto ao passado tentando avistar a curva para o futuro. Mas parece que a cada vez que volto um pouco de mim fica aqui. Passo as mãos pela grama. E a imagem que era tão nítida ontem, faz-se turva hoje. Encravada na parede da memória a imagem das quimeras com as quais estive em constante embate. E ficaram comigo algumas fotografias, coisas que trouxe na bagagem e das quais já tentei muitas vezes me desfazer.  Não sei se procurava desmanchar um passado erigido sobre frágeis estruturas. Talvez, queria simplesmente me fazer outra. Ser alguém diferente do que fui. Entrar num outro ambiente e construir-me de novo.  Como se pudesse, de algum modo, apagar as marcas desse solo em mim.  Agora já sei que é impossível. Não mudamos o que  éramos, nem o que nos tornamos. Construímos aos poucos nosso caráter e ele se estrutura sobre nossos erros e acertos. Posso ter errado mais que acertei. Tenho certeza disso, mas quando volto aqui, sei que faria tudo da mesma maneira novamente. A vida faz-nos tolos também.</p>
<p style="text-align:justify;">As muitas canções que ouvi, as perguntas cujas respostas jamais achei, as pessoas que me ajudaram a crescer, os silêncios que cresciam constrangedoramente&#8230; Sim, eu abandonei muita coisa, nestes longos caminhos. Agora estou de volta ao passado que jamais se apagou em mim. A minha história na verdade está cindida em duas. Num passado que se ilumina aos olhos de um presente dolorido. E num futuro que permanece numa longínqua hipótese, (mas se&#8230;). Sabe quando se sente saudade de tudo? Mistérios inexplicáveis da existência humana. Até mesmo as mágoas parecem menos doloridas vistas daqui. E queria voltar para aquele momento, quando imaginava que sentia a pior das decepções que poderia existir. Se pudesse colher aquelas lágrimas, para ter comigo a primeira relíquia de um coração partido&#8230; Outrora fui deste solo. Mas não sou mais daqui. &#8220;Sou uma cidadã do mundo.&#8221; Tenho muitos destinos. Não tenho mais raízes. Não mais me retenho em qualquer estação. Fico pulando de trem em trem.  A minha vida agora é feita de inúmeras partidas. Não existem mais encontros, apenas despedidas. Meus pés voam com as sandálias aladas que me concedeu Hermes, anunciando um novo dia. Não trago comigo quaisquer armas. Desprotegida frente a um mundo infinito. Porque mesmo sendo um dos menores do sistema solar, a Terra é, na verdade, uma imensa viagem. Temos de estar a vida inteira em trânsito para viver tudo que esse mundo nos oferece. Vou deixando minhas pegadas nesse solo que era meu. Nessas ruas numeradas em que me fiz grande, fui lançando pedaços de meu coração. Sementes de ilusão que brotaram em imensas árvores cujo tempo de floração é justamente a época mais fria do ano. Quando, outrora, com meus grossos casacos, tentava inutilmente me proteger de um frio que na verdade era interior. O mundo me foi muito mais acolhedor, quando fiz de minha história um acúmulo de milhares de despedidas. Vou abandonando cidades no caminho. Forasteira em meu próprio país. Não trago muito mais que uma sucessão de derrotas. Mas acredito que as vitórias um dia virão. Nem que somente no derradeiro momento. Ainda há muitas lutas e muitos oponentes. Afinal, não se pode fugir para sempre! Vou embarcando, a cada dia, a cada estação, em uma nova aventura. Mesmo que não se ergam quaisquer troféus, vou deixando muitas paisagens, que correm sucessivamente do outro lado das janelas destes vagões. E vou buscando uma nova história, mesmo que as que tenho em meu peito não tenham sequer se resolvido. Não sei as horas, quando me perguntam, pois o sol é meu relógio. Não quero ser mais do que livre. Mesmo que ainda se sobressaiam os fantasmas que me acompanham. Não há fronteiras que me cerceiem. Vou visitando diferentes destinos, sem me reter nas ladeiras ou nas esquinas. Fazendo da saudade o combustível de minhas viagens. Ainda quero ter de volta o passado. Contudo, já nem me dói tanto assim. Deito-me nessa grama como muitas vezes já o fiz. Escutando a mesma canção que naquele dia ouvi. Esperando que as mesmas faces venham se juntar a mim. Mas ninguém aparece. Custo a convencer-me que o tempo passou. Todavia, já estou acostumando-me com as dores das feridas do passado. Sei que, talvez, me faça forasteira para não me sentir nunca mais pertencente a qualquer lugar. Sou ainda como aquela jovem sob as mangueiras, nas ensolaradas tardes de fevereiro. Entretanto, sei que alguma coisa mudou, mesmo que não se faça tão perceptível em um primeiro momento. Minha solidão é na verdade composta de várias solidões. Um dia já fui deste solo. Um dia, já sentei sob essas árvores, um dia, joguei xadrez com quem costumava chamar de amigos. Hoje, são apenas retratos roídos pelo tempo. E nem me atenho mais a pensar nas mágoas que um dia se fizeram presentes. É tudo passado.  Deixo as memórias em diferentes destinos. O finito infinito particular desse mundo cheio de espaços. Não quero mais derramar lágrimas de abandono. Sou estrangeira. Faço das minhas viagens uma fuga para a partida. Antes que me abandonem e façam-me sofrer, deixo as amizades e amores no passado. Sou eu a primeira a partir. Quando volto, nem sei. Um dia talvez, quando a saudade bater mais forte que o medo. Por enquanto, faço-me viajante das memórias perdidas. Estrangeira das dores do passado. Forasteira do presente. Amante do futuro? Quem sabe&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 18:35:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[1984 de George Orwell, uma visão dos governos totalitários Giordana Maria Bonifácio Medeiros Resumo: Essa resenha visa demonstrar que a obra 1984 de George Orwell, uma obra de grande popularidade acadêmica, está extremamente ligada a uma crítica aos governos totalitaristas que se disseminavam a época de sua criação, em 1949. A elevação de uma União [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1390&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;" align="center"><a href="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2012/01/1984-george-orwell.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1393" title="1984 george orwell" src="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2012/01/1984-george-orwell.jpg?w=270&#038;h=146" alt="" width="270" height="146" /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>1984 de George Orwell, uma visão dos governos totalitários</strong></span></p>
<p align="right"><span style="color:#0000ff;">Giordana Maria Bonifácio Medeiros</span></p>
<p>Resumo:</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Essa resenha visa demonstrar que a obra 1984 de George Orwell, uma obra de grande popularidade acadêmica, está extremamente ligada a uma crítica aos governos totalitaristas que se disseminavam a época de sua criação, em 1949. A elevação de uma União Soviética stalinista em contraponto com o idealizado governo socialista, que visualizava o autor, foi um dos germens para o nascimento dessa obra intensamente política, mas nem por isso menos arte. O autor em diversas ocasiões cita as medidas adotadas nos governos totalitários que fomentaram a ascensão do Big Brother ao poder. Os personagens estão sempre se tratando pela alcunha “camarada”, como faziam os comunistas à época, uma prova de que o objetivo do autor não era outro, senão criticar o meio de governo que se instalou e se expandiu por diversas partes do mundo. A questão do cerceamento das liberdades individuais é bem destacada pelo fato de todos serem vigiados constantemente por “teletelas”, bem como, por cada um dos membros da população. Sem quaisquer direitos, os homens são continuamente manipulados ao bel prazer de seus governantes. Não é por menos que o “ministério da verdade” tratava das mentiras construídas para enganar o povo e o “ministério do amor” era o responsável pelas desumanas torturas infligidas a quem tentasse se insurgir contra o sistema, uma política de engodos e tortura é assim que George Orwell representou o fim dos regimes totalitaristas. É o que pretendemos abordar nessa pesquisa.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Em 1948, três anos após o término da Segunda Grande Guerra, observava-se a bipolarização do mundo e o início da Guerra fria entre as duas potências mundiais em ascensão: Estados Unidos da América e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a antiga URSS. George Orwell escritor declaradamente adepto das idéias comunistas, choca-se com o sistema político adotado na primeira nação submetida à Revolução do Proletariado. Assume o poder naquele país, Josef<strong> </strong>Vissarionovitch Stálin, que, ao contrário de balisar as antigas idéias comunistas, começa a construir um estado extremamente totalitário.  Em que, a equalização entre classes, tão amplamente divulgado pelo Ditador, existia tão somente entre os populares, enquanto os membros do partido comunista desfrutavam de todos os luxos que possibilitavam o poder. Assim como os assassinatos e jogos de espionagem tornaram-se extremamente comuns no Estado. Membros do partido desapareciam, sem que se obtivessem jamais notícias de seu paradeiro. Vendo esta realidade, estarrecido, George Orwell escreveu o livro 1984, uma visão de futuro possível caso aquele modelo de governo se perpetuasse.</p>
<p style="text-align:justify;">George Orwell não queria apenas criar uma obra ficcional, mas um meio de protesto. Embora o sentido esteja sendo deturpado por reality shows que usam as idéias para criar programas de inutilidades na televisão. Uma cultura pop que desvirtua o real interesse de uma obra de arte em todo o seu teor político. O cerceamento dos direitos individuais bem como dos meios midiáticos, não se trata de ficção, mas de meios de ação adotados pelos regimes ditatoriais. Nas palavras de Orwell, em seu ensaio Politics and the English Language, presente no livro A Collection of Essays: “A linguagem política destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”. (PILLEGGI, O pesadelo totalitário de George Orwell). É isso que se fazia continuamente no “ministério da verdade”, onde trabalhava Wiston, em adaptar os fatos de acordo com a vontade do partido. Apagavam-se notícias, convertiam-nas de modo a enganar a população, que aceitava pacificamente a mentira como verdade sem qualquer protesto. Wiston sentia-se atordoado pelo modo como calavam o povo e  do embuste que se tratava o Big Brother, cometendo uma “crimidéia”, ou crime de pensamento. Pensar era vedado. Duvidar, muito mais. Ele também cometia o crime de “duplipensar”ou lembrar-se da nova verdade criada para esquecer a antiga. Não aceitava simplesmente que diminuíssem a cota de chocolate e que no minuto seguinte fosse anunciado o aumento da cota que na verdade era uma minoração. Winston estava descontente com a situação estabelecida e procurava destruí-la, mas não teve sequer tempo para isso. Suas atitudes subversivas logo foram descobertas, sendo submetido ele e sua amante às torturas no “ministério do amor”.</p>
<p style="text-align:justify;">As guerras constantes entre as nações totalitárias, (tal qual ocorria na Guerra Fria em que as potências se confrontavam veladamente em jogos de Poder), foi retratada na sua essência na obra que as mostram em constantes desavenças, mudando de aliados e inimigos a todo o momento. Na realidade, se deu da mesma maneira. Estados Unidos e União Soviética, de antigos aliados na Segunda Grande Guerra, tornaram-se inimigos, que disputavam sem cessar a hegemonia entre as nações. Orwell, já tinha a percepção da instabilidade dos acordos entre as nações. Um potencial aliado é também um potencial inimigo. Depende do período em que se abordem essas relações. A fomentação do ódio aos inimigos entre os cidadãos, é parte de uma estratégia bem engendrada de fazer de cada um, um soldado a serviço do regime. Uma verdadeira lavagem cerebral. Wiston, o personagem central da trama, sente-se sufocado por saber de todas essas situações, e quer encontrar meios de derrubar o Big Brother e o regime que ele representa. A possibilidade de se ver livre é tão enganadora que Orwell destitui os leitores da esperança de que o personagem tenha um final feliz. Submetido as torturas mais degradantes, Wiston acaba por aceitar o regime. Até o dia em que desaparece como os demais que ousaram se revoltar contra a ordem instalada.</p>
<p style="text-align:justify;">O Leviatã, de Hobbes, tornou-se o monstro invencível. Aquele a quem se entregam todas as possibilidades de liberdade, em troca de uma proteção que inexiste. “A liberdade”, escreve Wisnton, “é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro”. A liberdade de pensamento e imprensa são os pontos fortes de uma nação democrática. Acontece que os governos totalitários só conseguem manterem-se no poder a custa do cerceamento dos direitos fundamentais dos cidadãos.</p>
<p style="text-align:justify;"> Segundo Eduardo Akira Azuma:</p>
<p style="text-align:justify;"><em>“os meios utilizados pelo Grande Irmão para extinguir a individualidade não se resumem à “teletela”. Na teoria de Hobbes o medo possui papel fundamental, posto que, ele baseia o funcionamento do sistema. A metáfora bíblica do monstro Leviatã também fortalece tal importância na medida em que encarna o medo dos homens em paralelismo ao medo construído pelo Leviatã de Thomas Hobbes.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O poder eclesiástico na ótica de Thomas Hobbes também exerce uma certa repressão espiritual, pois, segundo ele, este seria o meio mais persuasivo de fazer com que as pessoas obedeçam as leis.</em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Se pensamos em um dos grandes princípios de funcionamento da república segundo Hobbes, a saber, a obediência, compreendemos facilmente que o autor do Leviatã tenha se sentido à vontade ao introduzir a religião e sua hierarquia em sua montagem política. Com efeito, onde já reina a obediência pelo medo de Deus e pelo respeito aos princípios da fé, a edificação de uma república que tende ao respeito destes mesmos valores retomados por conta da paz civil é sem dúvida facilitada. Os meios são os mesmos: obediência, medo e fé. Somente diferem aqueles que o inspiram: Deus ou o Soberano. (ANGOULVENT, 1996: 35)</em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>O medo da morte também é visto por Hobbes como uma das paixões que levam o homem em busca da paz. As outras paixões são: o desejo das coisas necessárias a uma vida agradável e a esperança de obtê-las por meio de seus esforços.</em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Ainda a respeito do medo da morte, Hobbes o considera também como motor da razão humana. Este sentimento faz com que o homem busque de forma institucional, o meio mais eficaz de assegurar a sua sobrevivência, neutralizando os seus próprios inimigos e não obviamente a morte.</em><em></em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Em “1984”, o medo também possui um papel fundamental como meio de persuadir os indivíduos a obedecerem às leis do Grande Irmão. Os enforcamentos perante a multidão, além de terem uma conotação de propaganda política do Estado que protege seus “cidadãos”, possuem também o objetivo de coagir os indivíduos a obedecerem as leis sob pena de morte”.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Estão bem evidentes os meios de dominação empregados pelo Big Brother, e, portanto, a crítica política ao governo Stalinista, instaurado sobre o medo da população, com o domínio dos exércitos e o poder de decidir sobre a morte ou vida dos cidadãos. E, no livro, Wiston persegue o sonho de liberdade que ficou gravado para nós na imagem do jovem na Praça da Paz Celestial na China, que sozinho, parou uma fila de tanques. E desapareceu entre as rodas dentadas da engrenagem do regime comunista na China. Wiston será forçado a calar-se, será forçado a deixar de amar. Será forçado a submeter-se sob a égide de um sistema de brutalidades e mentiras. E então, como o jovem que sumiu como se jamais tivesse existido, também Wiston transformar-se-á em “impessoa”. Não foi difícil ao autor imaginar o mundo que projetou nas páginas da obra em epígrafe. A ascensão da União Soviética e a possível união da Europa em um megabloco foram previstas por Orwell mediante a situação que vigia no mundo em 1948. O futuro mostrava-se quase como presente. E hoje não estamos a salvo  da realidade ficcional que nos sonda. O futuro é agora. E 1984 pode muito bem vir a ser um 2084. O problema é se o povo vai permitir que lhes destituam dos direitos e garantias fundamentais que foram conquistados a duras penas.</p>
<p style="text-align:justify;"> Não temos idéia de quanto nos foi subtraído mediante escusas transações políticas. O Leviatã mostra-se mais terrível do que costumava ser. E creio que, ainda nesse século, o mundo de 1984 pode vir à tona, com os megablocos, a novilíngua e a tríade que sustenta o duplipensamento: guerra é paz; liberdade é escravidão; e ignorância é força. A guerra será o meio de sustentar uma falsa paz. Como invadir nações em virtude de um chamado “Eixo do mal”. A liberdade é considerada escravidão, por deixar abertas várias possibilidades. Afinal, o Leviatã pode cuidar de seu povo, tomando para si a obrigação de fazer escolhas. A ignorância do povo é a força dos governos totalitários. Essa tríade que tornou possível ao Big Brother manter-se no poder, pode muito bem vir a ser usada pelos governantes que se perpetuam no governo, principalmente das nações sul-americanas. O silêncio imposto à mídia, que se espalha como epidemia entre os países do sul leva-nos ao conceito de verdadeira liberdade: aquela de poder dizer o que está realmente acontecendo, dizer a verdade é a nossa maior conquista. Ocorre que o totalitarismo se dissemina sobre uma população de miseráveis calados pela força. E 1984 está cada vez mais próximo, é provável que chegue o dia que lamentaremos, como Wiston, não termos a liberdade fundamental: a de poder dizer que dois e dois são quatro. E muitos ainda se enganam ao dizer que 1984 trata-se de um livro de ficção científica. É, na verdade, uma crítica ao totalitarismo, para nos conscientizar que não estamos a salvo das “teletelas”, na verdade, elas apenas começaram a nos vigiar por toda parte.</p>
<p style="text-align:justify;">Bibilografia:</p>
<h3 style="text-align:justify;">AZUMA, Eduardo Akira, Uma Análise da Obra “1984” de George Orwell a partir de Elementos da Teoria Hobbesiana – A instrumentalização do medo em favor de um Governo Absolutista. Disponível em <span style="text-decoration:underline;">&lt;<a href="http://www.espacoacademico.com.br/061/61azuma.htm">http://www.espacoacademico.com.br/061/61azuma.htm</a>&gt;</span></h3>
<h3 style="text-align:justify;">ORWELL, George, 1984, 29ed, Companhia Editora Nacional: 2007.</h3>
<h3 style="text-align:justify;">PILLEGGI, Marcus Vinícius, 1984, O pesadelo totalitário de George Orwell. Disponível em &lt;<a href="http://aosugo.com/2008/04/04/1984-o-pesadelo-totalitario-de-george-orwell/">http://aosugo.com/2008/04/04/1984-o-pesadelo-totalitario-de-george-orwell/</a>&gt;</h3>
<h3 style="text-align:justify;">SILVINO, Eduardo, George Orwell e o mundo de 2084. Disponível em &lt;<span style="text-decoration:underline;"><a href="http://www.economiabr.net/colunas/silvino/01orwell.shtml">http://www.economiabr.net/colunas/silvino/01orwell.shtml</a>&gt;</span></h3>
<h3 style="text-align:justify;"><span style="text-decoration:underline;"> </span></h3>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 23:05:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Vagando pela noite  Giordana Maria Bonifácio (novo nome de autora sugestionado por um amigo) Uma chuva fina batiza a noite, as árvores dançam ao sabor dos ventos, aos poucos a claridade vai se apagando, como se a noite invadisse o dia, impondo as trevas aos seres humanos. Estes, sem protestar, parecem retornar aos seus lares, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1350&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>Vagando pela noite</strong> </span></p>
<p align="right"><span style="color:#0000ff;">Giordana Maria Bonifácio (novo nome de autora sugestionado por um amigo)</span></p>
<p style="text-align:justify;">Uma chuva fina batiza a noite, as árvores dançam ao sabor dos ventos, aos poucos a claridade vai se apagando, como se a noite invadisse o dia, impondo as trevas aos seres humanos. Estes, sem protestar, parecem retornar aos seus lares, porque a noite pertence aos sonhos, não à vida. O silencio vai se disseminando na cidade, e parece que nem mesmo as aves atrevem-se a cantar. A história vai caindo, como se não houvesse do que se falar, então, faz-se necessário invadir uma dessas janelas fechadas, para que não se dê o fim antecipado do texto que ora se produz. Procurando em torno, se veem inúmeras vidas trancafiadas do outro lado dos imensos muros que nos cercam. E há tantas coisas interessantes escondidas nesses abrigos, que são denominados casas. Vidas imperceptíveis a olho nu. Não são pequenas demais, como devem suspeitar, são apenas esquecidas, encobertas pela manta do cotidiano. O mundo gira tão rápido que nem percebemos. E tudo que poderia ser vivido, fica meio que abandonado, atrás dos vitrais fechados. E quando simplesmente queremos concertar o fato de termos ignorado essas existências, somos simplesmente expulsos dos portões que  circundam suas propriedades. Por termos invadido, somos considerados criminosos que tentaram inserir-se onde não foram convidados. Por isso, teremos de nos fazer invisíveis, para poder dar continuidade a este conto. Entrar sorrateiramente, empurrar com cuidado a janela entreaberta, para podermos, desse modo, adentrar sem sermos percebidos. Assim, vamos cuidadosamente entrar na vida dessa garota que acaba de retornar do trabalho. Retirando as bijuterias que lhe adornavam o pescoço, os braços e dedos. Cabelos ruivos, pintados na cabeleireira da esquina, muito amiga de sua mãe, que lhe aconselhou a cor por condizer com a personalidade rebelde de que é detentora. Lançou o celular sobre a cama, e após uma ducha quente (para recuperar as energias depois de um árduo dia de trabalho), sentou-se frente ao computador. Ora visitando a esmo sites engraçados, ora renovando seu status em redes sociais, aproveita a mais moderna forma de lazer: a internet. O celular vibra sobre a cama indicando o recebimento de um SMS. Ela rapidamente toma o aparelho nas mãos para poder ler a mensagem. Sorri. E então volta ao computador para contar a uma amiga com quem “conversava” pelo MSN que aquele fulaninho bonitinho que a abordara no trabalho, (ela era estagiária num escritório de advocacia), acabara de convidá-la para uma festa. Ela ainda estava indecisa se deveria ir ou não. Por isso, estava questionando a amiga os pós e os contras desse programa inesperado. No quarto, alguns bichinhos de pelúcia, que ainda se conservavam da infância, dividem espaço com várias pilhas de livros da faculdade. Um guarda-roupas branco com portas abertas, (ela sempre se esquecia de fechá-las, o que deixava a mãe profundamente contrariada), mostrava um conjunto de roupas coloridas e insinuantes. “Não se vestia para si”. Como costumava dizer. “Mas para que o mundo não deixasse de percebê-la”. Porém, isto é tão comum hoje em dia, que ninguém mais consegue se fazer notar. Todos querem ser ouvidos, contudo, como se trata de uma massa imensa de pessoas nesse planeta, a balbúrdia é tão grande que não se pode sequer discernir entre as vozes. Uma sonora bagunça. Nada mais. A moça seguindo o conselho da amiga resolve telefonar para o rapaz que gentilmente convidara-a para sair. E deita-se na cama com os olhos voltados para o teto, sorrindo ao telefone, como se fosse possível ao interlocutor ver-lhe a felicidade do outro lado da linha. Mas ele não vê. A moça passa a enfeitar-se para o programa inesperado que surgiu nesta sexta-feira. (Eu lhes disse que era sexta? Perdão, devo ter me esquecido no entusiasmo de invadir a privacidade alheia.) Começa, então, uma seção de veste e tira roupas, a garota simplesmente não conseguia decidir o que deveria usar. Quando finalmente aprova um vestido, submete-se à produção da maquiagem. Ela se pinta porque a convenção social determina que as fêmeas da raça humana devam abusar de cosméticos para se fazerem mais belas para os machos. É assim. Não que eu seja contra ou a favor. É assim e ponto. Já enfeitada para seu encontro, a moça sai deixando as portas do guarda-roupa abertas. E fecha a janela por onde a espionávamos, sem se dar conta de nossa presença. Melhor assim, penso eu.</p>
<p style="text-align:justify;">Continuemos a peregrinar por essas casas quase que silenciosas. (É possível ouvir o chiado dos aparelhos de tevê ligados na novela das nove). Caminhando por estas ruas onde apenas os cães saem do conforto de suas casinhas de cachorro. Os homens, ao contrário, escondem-se dos perigos da noite, dos predadores naturais da espécie, em suas tocas. Cavernas confortáveis que foram dotadas de janelas e portas. Onde só podem penetrar os membros do seleto grupo de amigos, família e conhecidos. Entretanto, mesmo sendo intrusos, não viemos incomodar-los. Não vamos interferir em nada nas vidas amenas dessas pessoas sentadas comodamente em suas poltronas, tomando sopa quente, enquanto assistem o cotidiano de seres inventados na televisão. (Será que não é isso o que aqui fazemos?) Todavia, a existência daqueles personagens é cuidadosamente calculada, de modo que seus trejeitos e roupas características virem moda. Depois, as pessoas comentam com grande afinco em seus trabalhos, faculdades e escolas, a realidade das novelas, que nem é realidade, apenas pura ficção. Ninguém se dá o trabalho de questionar por que fazem isso. Talvez, porque assim convém. Tudo é pura convenção. A brisa sibila segredos que os homens escondem de si mesmos. Entretanto, eu sei, nós sabemos a verdade. A resposta que se deixa dormir sob os travesseiros, a mentira que habita nos corações que mais cedo ou mais tarde se fará ouvir. Mas sigamos por essas ruas mal iluminadas. Onde a chuva cai persistente. (Aliás, faz tempo que não se conhece mais a face da lua. Esquecidas sob um denso tapete de nuvens, as estrelas piscam solitárias, longe do olhar das pessoas, longe do coração dos amantes, longe dos cálculos científicos dos astrônomos e das palavras adormecidas deste conto). Porém, demoramo-nos muito a observar o silêncio da noite. Quero novamente visitar a vida atrás das grades desses altos portões. Vamos escalar esses muros, (cuidado para não se ferirem nas cercas eletrificadas, segurança nunca é demais… Será?) Que tal invadir mais uma história? Eis que atrás dessa janela há novamente um coração a ser ouvido. Algo que não é comum nesses dias, tão atulhado de novidades. E aqui está um jovem rapaz perdido nas histórias mais inusitadas dos livros que se espalham pelo recinto. Ele nem se dá conta de nossa presença, tão entretido que está em sua leitura. No quarto, as estantes, cheias de grandes obras, reinam sobre os móveis. Mas os livros não se atêm a habitar somente a elas. Povoam a escrivaninha, a cama e o criado-mudo. E esse jovem, que se perde nas aventuras impressas no papel, nem se levanta quando a mãe berra-lhe o nome chamando-o para o jantar. Solitário, deita na cama e faz da leitura sua companheira. Quando está próximo do fim de um livro a que se dedicou a desbravar, mais circunspecto se faz. É como o fim de um romance. Não apenas “o fim do romance”, mas da história de amor que se fez presente na vida desse rapaz por algumas semanas. (Muitas vezes poucos dias ou, mesmo, apenas um). Ele conserva ao seu lado um computador ligado, em que dá vazão a sua vontade de também contar histórias. Mesmo sabendo que ninguém sequer as lê. É tanta coisa nova nessa rede de computadores ligando todo o planeta, (talvez o universo, como creem os filmes de ficção científica), que não há mais quem se preocupe com o mundo encantado das palavras escritas. As imagens são recursos visuais mais utilizados nessa teia de bites. Poucos são os que se demoram num texto de duas laudas. Querem tudo instantâneo. Na verdade, a realidade está cada vez mais rápida. Tudo tem de ser imediato. Esse jovem é um dos poucos que ainda conseguem se perder nas páginas da história bem engendrada de uma obra literária. Ao seu lado, Cervantes mantém viva a cômica história de um cavaleiro andante. Calvino, também faz referência ao mestre, e constrói sua própria imagem dos romances de cavalaria. Kawabata, conta as histórias de um Japão antigo. E ainda, Clarice, com suas obras introspectivas, faz a dor interna um pouco mais suportável. Também assim com Lygia, Caio, Saramago, Llosa, Rilque, Marquéz e tantos outros que fazem da vida desse jovem um pouco menos repugnante. E, com os olhos correndo as páginas dos livros, ainda se sente livre. Mesmo que pesados grilhões mantenham-no fixo na realidade. E assim o abandonamos. Nesse mundo de sonhos que restam completamente esquecidos nas páginas acolhedoras que nos proporcionam a literatura. Vamos para a rua, há essa hora, já completamente adormecida. Um grilo canta alegremente. A chuva persiste. E, atrás das janelas ainda há uma infinidade de histórias perdidas, esperando nossos olhos para se fazerem acontecer.</p>
<p style="text-align:justify;" align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong><br />
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 17:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A travessia do Aqueronte Giordana Medeiros A balsa segue, não se sabe bem para onde, apenas vai, navegando no ritmo do coração pulsante do rio.  E observando estas águas um tanto tortuosas, surge-me a dúvida:  o que pensa o barqueiro que exige sempre uma moeda de ouro para permitir o ingresso nessa viagem? Será que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1339&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2012/01/images.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1340" title="images" src="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2012/01/images.jpg?w=690" alt=""   /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>A travessia do Aqueronte</strong></span></p>
<p align="right"><span style="color:#0000ff;">Giordana Medeiros</span></p>
<p style="text-align:justify;">A balsa segue, não se sabe bem para onde, apenas vai, navegando no ritmo do coração pulsante do rio.  E observando estas águas um tanto tortuosas, surge-me a dúvida:  o que pensa o barqueiro que exige sempre uma moeda de ouro para permitir o ingresso nessa viagem? Será que queremos mesmo viajar no leito de morte deste rio? E será que poderíamos evitar o ingresso nessa barca? Muitas perguntas permaneceram sem respostas. Mas nem há mais como procurá-las. Chegou a hora. Hora em que devemos nos tornar passageiros. Não mais dirigimos. Não podemos sequer conduzir a barca que nos transportará. É o fim dos tempos. Uma multidão se acotovela nas margens desse rio. Todos devem ir para o mesmo lugar. A conclusão de nossa história chegou quando menos esperávamos. Não pudemos sequer nos preparar. E foi trágico, mas um tanto romântico também. Um cataclismo. Fim da vida na Terra que muitos prometeram, mas não acreditamos. E tudo ocorreu como foi previsto. Ao barqueiro, só resta ouvir o lamento dos mortos. Não nos damos conta do peso da eternidade. Almas não perecem. Permanecerão aflitas no Mundo Inferior, sem descanso. Não são nossos pecados que devemos purgar, mas nossos medos. Temos de aprender a superar tudo que nos foi impossível em vida. E agora, quando o sempre se faz tão real quanto o nunca, ser-nos-á menos pesada a terra que nos cobre? Túmulos que não existem, corpos espalhados sem alguém que lhes recomende as almas.  É esse o futuro que se fez presente. Não há mais saídas, o labirinto da vida foi superado. E nesse mundo devastado, qual será a nova espécie dominante? “Muito trabalho para você, Caronte?” Questiono ao barqueiro. Ele me sorri mostrando a dentição podre. E faz as moedas de ouro tilintarem dentro de um imundo saco de pele de carneiro. Vai-se nas margens do Aqueronte, a única riqueza que levamos conosco. Porém, no reino dos mortos, ela não é sequer necessária. Desse local, onde nos são infligidas as piores penas, apenas Orfeu conseguiu escapar. Sob o som da música doce da lira do herói, até Sísifo descansou de seu castigo. Eis que o mistério da morte se revela. A realidade que evitávamos chegou. O rio se estende sem fim. E para lhe cruzar as margens, Caronte nos leva. Desfazemo-nos das riquezas da terra, e mais humildes, seremos submetidos às penas que acumulamos em vida.  É a consequência de nossas infinitas faltas. Observo as faces dos demais passageiros. Temerosos, choram. Contudo, não é mais nos dada à possibilidade de arrependimento. Chegou a hora de pagar. E a morte nos cobra com juros. A usura de que nos valemos em vida, será utilizada para calcular nossos castigos na morada de Hades. E, na superfície deste mundo, uma terra inóspita se apresenta. Não há mais o verde acolhedor de um planeta vivo. O azul transformou-se em vermelho e a Terra, Gaya que era, agora sofre com o silêncio absoluto de seus domínios. Não mais se escutam o cantar das aves, nem mesmo o riso inocente das crianças. O homem causou o seu próprio fim. E nesse ano após a derrocada da civilização, Eólo sopra vigorosamente a areia de um solo sem vida. Formam-se nuvens de poeira, de vermelho vivo. (Corrigindo, vivo não, morto). Os rios secaram e o planeta água, nem mais oceanos possui. São desertos imensos que se estendem a perder de vista. Mas não há mais quem possa ver essa imagem. Acumulam-se nas margens do Aqueronte, as almas dos homens que destruíram o mundo. Os que ordenaram o lançamento das bombas atômicas são acusados pelos mortos de causarem o fim do planeta. Eles mesmos não conseguem suportar o peso da devastação de nossa casa sobre si. E pergunto-me qual será a pena que lhes será infligida? Provavelmente serão condenados a uma eternidade sem sossego. Almas penadas. Contudo, não há sequer a quem assombrar agora. Vão vagar sem abrigo por cem anos às margens do Aqueronte. O barqueiro parece não se importar com os gemidos dos espíritos. É insensível ao sofrimento daqueles que não mais são matéria. Eu não reclamo do fim que me foi destinado. Paguei a Caronte minha moeda e fiz-me passageira. As águas negras do rio que banha o mundo dos mortos me distraem. A barca segue viagem cortando a superfície cor de ébano, como se não importassem as perguntas e muito menos as respostas. Em vida, não cumprimos a missão que nos foi determinada. E agora que, mortos, nada mais podemos fazer, por que lamentar nossa terrível sorte?</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse ano que sequer começou, em que Chronos resolveu apagar o tempo, aprendi com a morte que o passar das horas não era importante. Eu que vivia contando segundos inúteis, compreendi que o tempo é aquele que construímos e não o que impuseram a nós. Nem sei se olhei para trás no primeiro passo. Os que se voltaram foram transformados em estátuas de sal. Numa época sem heróis, a falta que nos fez Teseu no momento derradeiro, foi absurda. Não tínhamos quem lutasse por nós. Os que prometeram nos salvar, ao contrário do que nos diziam, dizimaram a vida na Terra. E, nesse momento, a maioria estava desarmada. E as armas de uma minoria não eram suficientes para lhes poupar a vida. Mesmo alertados previamente, fizemos pouco das previsões alarmistas. Fomos arrogantes e rimo-nos dos profetas. Sem que nos déssemos conta, o futuro chegou. E com ele, a destruição, as doenças, a fome e a guerra. Foi o Apocalipse anunciado que ignoramos solenemente. E entendemos muito rápido o real sentido da palavra destruição. Mas foi num piscar de olhos. A guerra atômica era evidente e não percebemos a tempo. Então, eis aqui o nosso destino, quando as Parcas pararam de fiar e Zeus fechou os olhos para a Terra. Fomos todos amontoados no conjunto disforme de almas, nas margens desse rio alimentado por nascentes de sofrimento humano. Alguns espíritos, muito pesados, envergam em função de sua carga, outros, muito leves, parecem flutuar. O peso que carregam é diretamente proporcional ao número de faltas que trazem consigo. Eu mesma levo uma boa bagagem nas costas. A barca, no entanto, não afunda com o pesar dos espíritos. Caronte está feliz com suas moedas, os homens descontentes com seu novo lar. O reino de Hades não é nenhum ponto turístico. Os que estão aqui jamais saem. (Não podemos levar em conta as aventuras do corajoso Orfeu). Começo a perceber que a eternidade é tempo demais. Não consigo conceber uma prisão tão terrível quanto esta. Onde espíritos vagueiam sem cessar no vazio obscuro de suas mentes (as quais nem mais possuem). E minhas sensações quanto ao lugar que nos acolherá só pioram com a proximidade de seus imensos muros. Já ouço o latir de Cérbero. O cão demoníaco, fera atroz que guarda os portões dessa prisão de medos. Não há sequer a possibilidade de Morfeu nos conferir o vislumbre do sonho nesse ambiente de dor e lágrimas, aonde caímos no abismo infinito que leva ao Mundo Inferior. Todos que aqui entram não voltam mais desse escuro penar. As pessoas abusaram do tempo. As impuras águas deste rio, poluído por nossas faltas, não animam aos que penetram nesse castelo de súplicas, na pedra gélida que lhes servirá de calabouço. E choram copiosamente, mas já não é tempo de lamentos. É chegado o momento de encarar os erros, assumir os pecados, e suportar a sentença que cairá sobre nós. Caronte nem mesmo um murmúrio profere. Vai remando, sua função é transportar as almas repletas de nódoas. Munido do capacete com poder de tornar-lhe invisível, Hades resgatava os mortos, decorrentes da última e derradeira Grande Guerra. Poderia restituir-me a vida, mas não o fez. Disse-me algo sobre destruição do homem e dos seres de nosso planeta. E lançou-me às margens do Aqueronte. Não sei se receberei a punição do Tártaro ou as delícias dos Campos Elísios. Não fui propriamente uma pessoa virtuosa. Ao contrário, creio que nem sempre agi com justiça e muitas vezes não tive comiseração quanto à dor de outras pessoas. Por isso, duvido que seja encomendada para o descanso eterno dos justos. Porém, também não acredito que cairá sobre mim a condenação ao Tártaro eterno, a masmorra das almas infiéis, a submissão dos homens a redenção de seus opróbrios. Onde devem redimir em morte o que não fizeram em vida. Se ainda houvesse uma Terra, poderia provar das águas do Letes, esquecer de uma história marcada pelo pecado e retornar à vida para recomeçar do zero, tornando-me um tanto mais generosa e com ações em conformidade com as leis humanas e de Zeus. Assim, escolheria uma nova alma que me servisse mais ou menos. Não sei se anseio pelo julgamento de Radamanto, Éaco e Minos. Sei que possuem o real senso de justiça que falta a maioria dos homens. E tenho fé que a pena que sobrevirá não será tão árdua quando a de Sísifo ou Prometeu. No vale dos mortos a barca alcança os portões do reino de Hades. Caronte desembarca os passageiros e abrem-se os portões do infinito. A vida, que nunca mais será, foi. Futuro e pretérito. Ou futuro do pretérito: a vida seria. Mas tudo acabou nessa vaga possibilidade.</p>
<p style="text-align:justify;">
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 05:39:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[“ Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora.” Siddhartha Gautama Cedo ou tarde Giordana Medeiros Cedo ou tarde perceberemos as injustiças que praticamos.  Daremo-nos conta de nossas ações com intuito de ferir quem amamos e, sobretudo, quem desconhecemos. As más condutas se tornarão patentes. Tudo que ficou escondido sob o tapete [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1323&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;" align="right"><a href="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2012/01/planeta_terra.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1324" title="planeta_terra" src="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2012/01/planeta_terra.jpg?w=210&#038;h=210" alt="" width="210" height="210" /></a></p>
<p align="right">“ Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora.”</p>
<p align="right">Siddhartha Gautama</p>
<p align="center"><span style="color:#ff9900;"><strong>Cedo ou tarde</strong></span></p>
<p align="right"><span style="color:#0000ff;">Giordana Medeiros</span></p>
<p style="text-align:justify;">Cedo ou tarde perceberemos as injustiças que praticamos.  Daremo-nos conta de nossas ações com intuito de ferir quem amamos e, sobretudo, quem desconhecemos. As más condutas se tornarão patentes. Tudo que ficou escondido sob o tapete vai vir à tona. E vocês, ou melhor, nós seremos cobrados por isso. Não adiantará pedir abrigo no coração de alguma divindade. Porque, nesse momento, não haverá perdão, nem em nome do céu e, inclusive, do inferno. O mundo apresentará a conta de nossa iniqüidade. Nossas pegadas que marcaram o solo da Terra, vão aparecer, em cada ponto, em cada casa, em cada país, em cada continente. E não há como nos safar disso. Porque nós somos os culpados. Não vêem? Fomos nós que rasgamos a Terra em busca de ouro, diamante e petróleo. Quando o ar se tornar irrespirável, o solo infecundo, a água intragável e as mortes tornarem-se inevitáveis, nesse momento, vamos pedir piedade. O problema que o assassino habita em nosso corpo. E se nunca tivemos compaixão por nossos irmãos e nossa casa, porque teria o planeta para conosco? Abram os olhos para nossa culpa! E quando, de joelhos, implorarmos misericórdia, não haverá quem nos abrigue. Destruímos o que possuíamos de mais precioso. E, se alguém sobreviver ao cataclismo evidente, espero que faça do homem uma espécie mais solidária. E que nossos erros sejam corrigidos, se apaguem as mágoas, os sentimentos de cobiça e inveja sejam banidos de nosso vocabulário. Cedo ou tarde, mesmo que que aconteça daqui há muito tempo como as previsões dos cientistas apontam, a dívida que temos com o mundo nos será apresentada. Será que teremos com o que pagar? Será que restará alguém aqui? Quando os mananciais de água potável secarem ou se tornarem tão poluídos que não sejam mais próprios para o consumo, o que faremos? Mortos de sede frente à imensidão de água salobra dos oceanos? E se as calotas polares derreterem totalmente modificando o clima nesse planeta perdido no universo, como ficaremos quando as plantações e rebanhos não forem suficientes para alimentar  um mundo de mais de seis bilhões de pessoas? Haverá a saída da guerra, mas com armas de homicídio em massa, bombas atômicas e de hidrogênio, provavelmente acabaremos por extinguir a vida nesse planetinha azul.  Eis os futuros possíveis que se apresentam a essa sociedade. Com esse retrato desolador, pergunto-me: o que fizemos? E as crises econômicas que prometem deixar uma grande parcela da população na mais absoluta miséria? Esse futuro que assombra os homens como uma possibilidade não mais tão remota, está cada vez mais próximo. E ainda há como escapar dos trilhos que levam a civilização à extinção? Eu grito no meio de uma multidão que fecha os olhos para o certo. A dúvida é mais aprazível. “É possível, mas vamos esquecer isso por enquanto?” Por quanto tempo vamos nos recusar a ver o que está mais que comprovado? E os grandes líderes dizem não à possibilidade de diminuir a emissão de gás carbônico na nossa atmosfera já tão ferida com buracos na camada de ozônio. “Por que retardar o nível de nosso crescimento?” O único problema é que não se perguntam até onde poderão crescer. Se houverem muitas nações com um consumo desenfreado, como as reservas naturais vão suportar?  O que restará para nossos netos? No ritmo que se apresenta, sobrará para nossos descendentes, uma carcaça sem vida. Uma sombra do mundo que outrora foi. Uma terra inóspita, devastada e vazia. E quando o futuro não mais existir e tudo se tornar um presente terrível, uma realidade que não se pode sequer suportar? Será que milhares de anos depois uma civilização muito mais avançada que a nossa, um povo que soube sobreviver a si mesmo, que entendeu que deveria abrir mão da cobiça em prol do bem comum, descobrirá o esqueleto de nossa miséria, os restos deste mundo, de uma sociedade que foi deveras hostil consigo mesma? E será que esses seres evoluídos dedicar-se-ão a pesquisa das causas de nossa extinção? O pó que voltamos a ser, quando nos desfizemos do paraíso que nos foi oferecido. O problema que o homem é insaciável, deseja mais riquezas, mais bens, mais comodidade, mais e mais e mais. É isso que nos move. É a busca irrefreável de uma saciedade que não existe. Somos levados por nossa própria natureza. Parece que estão no nosso DNA os genes disformes da ambição. E aqui, escrevendo esse texto, nem sei bem porque razão, fico deprimida com o que surge na tela do computador. Podem me julgar alarmista, mas chego à conclusão que o fim está mais próximo do que se imagina.</p>
<p style="text-align:justify;">E seguindo as comemorações de um novo ano, o início de mais uma década, quero transmitir ao mundo um aviso: o mundo não nos suportará! Seremos vítimas da cobiça que sempre imperou entre os homens. Sei bem que esta ambição humana, (não chamo de curiosidade, já que jamais construímos algo sem segundas intenções), impeliu as grandes descobertas, (é inegável). Mas será que isso foi assim tão profícuo? Nas Américas civilizações inteiras foram dizimadas. Na África povos foram escravizados. Na Europa, guerras imensas foram travadas, dezenas de milhões de pessoas morreram. Genocídios eram praticados com o aval da justiça. Onde está o Direito criado para nos proteger de nós mesmos? Até quando vamos acobertar as iniqüidades sob o manto da lei? Será que os horrores que foram perpetuados por gerações são a resposta de minhas dúvidas? “<em>Homo homini lupus</em>”. Somos os predadores de nossa própria espécie. Matamos sem motivo aparente. Consumimos o suor dos nossos irmãos, nosso conforto construído sobre o sangue dos que não tiveram a sorte de nascerem ricos. O capitalismo que promete ascensão social não consegue explicar o terror da gigantesca desigualdade que impera entre os homens. Nesse réveillon, enquanto muitos se refestelam com comida e bebida, outros não têm sequer o mínimo para aplacar a fome. E sentindo a dor martirizante desses pobres indigentes, mergulho profundamente na única penitência que conheço: escrever sobre o que penso e sinto. Rasgando o espírito com essas terríveis previsões, quero deixar claro, que o mundo em que vivemos, fomos nós que o construímos. Essa pobreza devastadora que sempre nos choca com imagens tocantes de crianças com corpos esqueléticos, é fruto da opulência dos países do norte. Não há como haver excesso para alguns sem ausência para outros. Estes que saquearam e saqueiam as nações oprimidas da África, formada por países em guerra eterna contra seu próprio povo, vivem com luxos. Os famintos, sem nada. O essencial para acrescentar carne aos seus corpos subnutridos, não possuem. Então, mesmo que este texto não consiga conscientizar aqueles que nos governam, tento fazer tudo que tenho ao meu alcance para inaugurar um novo modelo de vida. Ao desperdiçar o pouco que ainda existe de água no mundo, questionemo-nos: será que é necessário banhos tão demorados? Eletrodomésticos, eletrônicos, computadores e celulares não são descartáveis! Será que é fundamental consumir tanta energia elétrica? E o lixo que produzimos em larga escala? Será que não poderíamos diminuir e reaproveitar? Reciclar não é difícil! São com essas ações pequeninas que vamos modificando a realidade em que vivemos. A mudança que queremos ver no mundo começa em nós. Uma multidão não se forma se o primeiro homem não se mobilizar. Sigam para as ruas, protestem contra a crise econômica mundial já anunciada. É sentindo-nos parte da Terra que podemos salvá-la de nós mesmos. É essencial nos vermos como peças importantes na nova ordem mundial. Não o neoliberalismo que, como era de se esperar, também se mostrou uma política econômica ineficiente, mas a realidade inusitada de um mundo totalmente ligado por teias invisíveis de comunicação. Uma grata surpresa revelou-me que inúmeros internautas de outros países também percorreram os olhos pelos meus textos. Por isso vou valer-me dessa arma de esclarecimento, arma que percorre continentes num clique, para tentar tirar a venda nos olhos da justiça, para mobilizar o jovem preocupado apenas com seus videogames, para acordar o imóvel banqueiro de sua suntuosa e confortável poltrona e para alertar a dona de casa entretida com suas novelas. Vamos marchar unidos por um único ideal: salvar o nosso planeta do terrível destino que o aguarda. Sei que minha voz não se faz ouvir nessa imensa balbúrdia que é a internet. Mas, mesmo com meu tênue apelo, quero me fazer presente. Um futuro: é tudo que peço. Não quero nada mais que a garantia de um porvir. Uma existência, a perpetuação da humanidade, são esses meus desejos de ano novo. Cedo ou tarde, tomara que mais cedo do que tarde, muitos, embalados pelo mesmo propósito, juntar-se-ão ao coro de vozes dos descontentes.  Porque salvar o mundo é dever de todos nós.</p>
<p style="text-align:justify;">
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		<title>Os números de 2011</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 00:09:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog. Aqui está um resumo: Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 4.200 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse. Clique [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1321&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.</p>
<div style="background:url('/wp-content/mu-plugins/annual-reports/img/emailteaser.jpg') no-repeat center center;height:300px;"></div>
<p>Aqui está um resumo:</p>
<blockquote><p>Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de <strong>4.200</strong> vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse.</p></blockquote>
<p><a href="/2011/annual-report/">Clique aqui para ver o relatório completo</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/moncoeursauvage.wordpress.com/1321/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1321&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 00:32:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Do lixo ao luxo, reciclando ilusões Giordana Medeiros Um começo. Um primeiro passo. É tudo do que preciso, depois as coisas caminham praticamente sozinhas. Vou tentar, pela última vez. Tenho de fazê-lo. Nada mais me atemoriza. Vou colher ilusões aqui e ali. Os medos pulverizados em dúvidas. Mas já tenho em mãos a resposta da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1305&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;" align="center"><a href="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2011/12/09_mhg_lixo01.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1306" title="09_MHG_lixo01" src="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2011/12/09_mhg_lixo01.jpg?w=240&#038;h=153" alt="" width="240" height="153" /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#ff9900;"><strong>Do lixo ao luxo, reciclando ilusões</strong></span></p>
<p align="right"><span style="color:#0000ff;">Giordana Medeiros</span></p>
<p style="text-align:justify;">Um começo. Um primeiro passo. É tudo do que preciso, depois as coisas caminham praticamente sozinhas. Vou tentar, pela última vez. Tenho de fazê-lo. Nada mais me atemoriza. Vou colher ilusões aqui e ali. Os medos pulverizados em dúvidas. Mas já tenho em mãos a resposta da maioria das questões que trazia comigo. Tenho ainda muita bagagem, recordações das quais eu não quis me desfazer. É muita coisa que se acumula, entulhos na estrada. Vamos amontoar as desilusões em um canto qualquer. Não se quer mesmo lembrar delas, nem mesmo restaurar uma dor que se cria perdida. E nesses montes de lixo, em meio a urubus e ratos, encontramos gente? Por que há pessoas nesses reinos de dejetos que despejamos em qualquer lugar? Seres humanos que se alimentam do nosso lixo. Oportunidades perdidas são um prato cheio. Há quem viva de nossa dor, que reaproveite o que se pensa já terminado. Muitos fins são apenas o início. Vamos emendar com retalhos coloridos a nossa alma rasgada. O luxo que vem do lixo. Com pouco menos é possível criar milhares de fantasias. Não para cobrir-nos o rosto escondendo nossa identidade, mas para podermos sonhar. Criar devaneios com um pedaço de madeira, que, sem muito esforço, converte-se em uma espada, num átimo, eis D’artagnan, esgrimindo pelas vielas de Paris. Pode-se, também, construir histórias com um pedaço de pano que logo se transforma em capa, conferindo super força e visão de raio laser para quem a usar. E há também os heróis modernos e suas mutações fantásticas. Fator de cura seria muito útil para o vizinho que sempre reclama de artrose. Esses sonhos que, na realidade tornam-se faz de conta, fazem-me concluir que o poder não está no físico, mas no etéreo. Aproveitar o lixo para construir um mundo, mesmo que reste visível apenas aos nossos crédulos olhos. Pena que faz de conta é coisa de criança&#8230; Muita gente iria adorar ser o que não se é. Sei que o futuro não está no plausível. Quero o absurdo, o fantástico que se derrama das páginas dos quadrinhos. Mesmo que não nos tornemos mutantes, que não lancemos rajadas ópticas por nossos óculos de quartzo rubi, que não voemos com nossas asas de anjo, ou lancemos cartas de baralho energizadas. Ainda que tudo isso não esteja ao alcance, quero abrir um pedaço de minha vida para esta realidade que não é sequer realidade. Sei que é absurdo, que a genética não prevê tamanha evolução, (<em>homo superior</em>? Bobagem!), que são apenas histórias para entreter crianças. Porém, graças a estas pequenas obras-primas que hoje escrevo longos textos. Não posso deixar de admitir, aprendi a ler com gibis e a escrever, com estas fontes magníficas de sonhos. Depois, fui descobrindo com os livros rejeitados pela maioria, que o sonho pode prescindir de imagens. O luxo, mais uma vez, que se desenvolve a partir do lixo. Fui desbravando, mundos imateriais, que só existiam devido à literatura. A arte não imita a vida, mas a reconstrói de maneira mágica. Cem anos de solidão que se passam em alguns dias. Mitos que povoam a vida de figuras maravilhosas. Elfos, centauros, grifos, dragões, magos, bruxas, por que apagar de nossa história estes seres só pelo fato de não serem sólidos? E todas as loucas viagens que fizemos por folhas de papel impressas de sonho? Por que fechar-nos ao estritamente real? Tolkien, que hoje é celebrado, foi repudiado durante longos anos. Então, o que poucos admitiam adorar, tornou-se febre. E muita gente se aproveitou do modismo convertendo o fantástico em comércio. Coisas que fazem do luxo, lixo. Por que sempre há meios de corromper o que outrora era puro? Eis que sonhos viram matemática, contabilidade dos lucros, não é mais fantasia, mas mero senso de oportunismo. A história que foi recolhida do ouro é convertida em pirita. Obras que serão esquecidas nas estantes daqui a alguns anos, porque não têm sequer qualidade literária para sobreviver ao fim de uma moda. E após o término da febre recolher-se-ão os derradeiros exemplares do que outrora foi sinônimo de <em>pop-art</em>. (Por que criar uma designação para o que não tem valor literário?) Ficção científica? Queiram conceder-me o privilégio de citar um mestre: Stanislaw Lem. Não é necessário fotografar a vida para se fazer arte, às vezes ela está no que a imaginação consegue criar.</p>
<p style="text-align:justify;">Falando nisso, vem-me a mente a imagem de Dom Quixote, querendo fazer da literatura sua própria existência. E nisso foi apelidado louco. Porque faz de conta, meus caros, é coisa de criança. Não mais seguimos as imagens que nos povoam a mente. Limitamo-nos a sermos sãos. Não queremos abrir um mínimo milímetro de nossas vidas para a fantasia. Fazemos dejetos dos instrumentos de sonhos. E tudo assim, excessivamente coerente, acaba sendo muito chato. Perdoem-me por ser extremamente franca e direta. Mas não quero ver a vida por lentes tão cinzas. Um tanto de aventura, outro de imaginação, eis que surge uma pequena nova pérola da literatura mundial. Pode estar nas páginas coloridas de uma história em quadrinhos ou, mesmo, no mundo abstrato de C. S. Lewis. Guarda-roupas podem guardar portas para outra dimensão? Mas é lógico que sim! Não façam das idéias uma barreira para a magia! Não façam do crível uma prisão em seu dia-a-dia! A infância não retém os sonhos. Eles nos acompanham. Fechem os olhos e verão que Dom Quixote sobrevive em vocês. Não que esteja os encorajando a vestir armadura, montar um velho corcel e saírem por aí lutando contra moinhos de vento. O que quero que façam é deixarem uma pequena porçãozinha de vida para a magia. O mundo anda sólido demais? Llosa, Márquez, Lem, Tolkien e Lewis podem ajudar. Ou então, desfaçam-se dos terríveis preconceitos quanto à arte dos quadrinhos e lancem-se em maravilhosas histórias de ação e aventura. Podem ser vividas tanto com as loucuras encabeçadas pela nossa nacionalmente conhecida Turma da Mônica, quanto às intrincadas tramas dos quadrinhos dos X-men, Homem-aranha, Hulk, Thor e tantos outros que nos libertam do marasmo do possível. Eis como abrir a porta da prisão do cotidiano. E, mesmo que seja tão somente uma única fechadura, são muitas as chaves que entram em seu ferrolho. Nesse resgate de sonhos abandonados no lixo de nossas almas, acontece-me de desejar também viver com tanta ilusão. Acho que me perco no real, por isso vou escrevendo aqui e ali sobre mim. Contudo, nem quero fazê-lo. É que, quando estamos contando histórias, um tanto assim de nós nos escapa e prega nas palavras. Nosso espírito é igual criança levada. A gente ralha com ela, mas acaba invariavelmente nos desobedecendo. E, quando nos damos conta, lá está um retrato de nossa vida tatuado no papel. Tentamos apagar, mas já é tarde. Nem há mais como fazê-lo. Será possível não criar um personagem que nascendo de nós não leve consigo grande parte de nossa carga genética? Um breve exame de DNA, logo atestaria nossa paternidade (ou maternidade). Cervantes, que era um gênio, deixou um pedaço (bem grande) de si no cavaleiro da triste figura. Dante fez de si mesmo personagem. E eu nem sei o que faço de mim. De repente surge o texto. E <em>voilà</em>: desprega de mim a criatura. Um monstro, feito de retalhos de sonhos. E nele coloco tudo que vivi e que fui construindo: meus pedaços de ilusões. Numa grande tempestade, com as descargas elétricas, vou dar vida ao meu ser. Serei a Doutora Frankenstein, concedendo vida as desventuras que guardo em mim. Mary Shelley, a dona da história mais pavorosa que venceu as de muitos homens, nos produz a pergunta: por que não se curvar ao fascínio da criatura da autora, que causou a desgraça de Victor Frankenstein? Podemos também viajar nas histórias de fantasmas de Delfoe. Mesmo que não acreditem nos pavorosos seres e monstros que povoam a literatura, é fácil encontrar a todos eles. O segredo é começar a ler. Esse foi o primeiro passo que esperava. Uma única palavra que se torna uma única frase, que, por sua vez, se converte numa única página. Por fim, nos vemos envolvidos pela história, pelas aventuras que decorrem tão somente no mundo fantástico que se desenvolve apenas no livro. Não há como arrancar desse lar o irreal, porém podemos fazer dele uma parte de nossas existência. Vamos procurar nos entulhos que se acumulam em nossa estrada. Pode ser que um grande romance se encontre em meio a tantas desilusões. Sonhos podem ser reaproveitados! Uma nova maneira de sustentabilidade: reciclar ilusões perdidas! Podem crer, em breve se tornará mania.</p>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 15:43:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Redescobrir Giordana Medeiros Procurando bem, podemos encontrar em nós tudo que perdemos. (Mas não perdemos!) Estão escondidos em nós a fé, a felicidade e o amor que julgamos haver esquecido em algum lugar. Eis que, com um tanto de esperança, as situações mais complicadas podem ser facilmente resolvidas. É só pesquisar bem. Está tudo em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1291&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;" align="center"><a href="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2011/12/redescobrir.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1292" title="redescobrir" src="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2011/12/redescobrir.jpg?w=180&#038;h=180" alt="" width="180" height="180" /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>Redescobrir</strong></span></p>
<p style="text-align:right;"><span style="color:#0000ff;">Giordana Medeiros</span></p>
<p style="text-align:justify;">Procurando bem, podemos encontrar em nós tudo que perdemos. (Mas não perdemos!) Estão escondidos em nós a fé, a felicidade e o amor que julgamos haver esquecido em algum lugar. Eis que, com um tanto de esperança, as situações mais complicadas podem ser facilmente resolvidas. É só pesquisar bem. Está tudo em você, mesmo que não esteja na superfície das coisas. Para achar prata e ouro é necessário escavar. Metais preciosos não restam na superfície. Bem como petróleo e diamantes. (Seria fácil demais, não?) Tudo que vale a pena encontrar tem de ser minuciosamente rastreado. Veios de felicidade não afloram, nem mesmo todos os sentimentos que queremos usar (e abusar). É necessário cavar, afinal, tudo é fruto de trabalho e perseverança. Minha cota de solidão e desespero é muito mais fácil de acessar. Por isso pego sempre o que está à mão. Mesmo que não seja o mais aconselhável de valer-se nos momentos críticos. Quando um problema nos surpreende, desespero é nossa primeira opção. E por que não esfriamos a cabeça e procuramos profundamente em nós a solução, é uma questão que ainda me atormenta. Sei que ando com inúmeras pendências em mim. Coisas que deveria ter feito e não fiz. Amores que julgava resolvidos e não estão. (Nunca estão&#8230;) Problemas que varri para debaixo do tapete que reaparecem como fantasmas em minha vida.  Fui sempre descartando coisas que julgava difíceis demais. Não assumi minhas tolices. Ao invés disso, guardei meus esqueletos no armário e tentei esconder-me de todas as dificuldades que semeei. É minha culpa. Agora, como devo resolver? Para redescobrir a coragem que perdi, será necessário visitar o Mágico de Óz? E se ele for um embuste, uma mentira que cultivamos para esconder mais ainda a verdade em nós?  Em realidades paralelas fui traçando um mapa de lugares que não visitei. (Por quê? Talvez por medo ou por preguiça, por estarmos demasiadamente acomodados ao que somos e onde estamos.) Minha mente é o infinito em que, vez ou outra, me perco. Nem sei onde me encontro e se me encontro. Não que não me procure. Fico horas perseguindo um passado que deixou lembranças (algumas muito boas) que não consigo esquecer. Como a imagem do quintal de minha avó, que julgava imenso quando criança, e que, ao visitá-lo algum tempo atrás, redescobri-o grande apenas em memórias. Como o fato de macaquinhos que fugiam do zoológico na outra rua sempre virem brincar nos galhos das árvores de minha avó. Ainda fazem isso, contudo esses fatos presentes não preservam o gosto do passado.  (Queria ter mantido os olhos puros da infância para sentir felicidade com as acrobacias dos miquinhos nas copas das árvores, como outrora senti). A maturidade implica em falecimento. Não apenas do corpo, mas também dos sonhos. Sonhos envelhecem. Tornam-se inúteis. Coisas que queria na infância não podem mais ser possuídas por um adulto. Como fantasias de super-herói que desejava, as quais jamais ganhei. Pedia para papai-noel, porém creio que não era a boa menina que vislumbrava, pois sob a árvore encontrava tão somente sapatos, roupas e meias. Há também o fato do ursão que pedi à minha mãe, que devido às poucas posses que tínhamos na época, foi-me dado um tão pequeno quanto minha mão. E minha mãe vendo-me triste, disse-me para dar comidinha a ele que logo cresceria. Não tive estes e muitos outros brinquedos que muito queria. E agora que tenho como adquiri-los, não posso mais me divertir com eles. “Faz de conta é coisa de criança!” Dizem-me. Eu que sempre achei graça em fazer de conta que mundo existia, fiquei perplexa com o fato de ele ser realidade. E fui perdendo o jeito com as coisas. Sabia empinar pipa, jogar futebol, jogar bolinha de gude, e tantas outras coisas com as quais não tenho mais qualquer habilidade. E minha solidão foi crescendo progressivamente. A cada ano a via maior em mim. Assustada com a diminuição de meus sonhos, tive de encontrar um meio de redescobrir em meu espírito tudo que perdi. (Ou achava que havia perdido.) Escavei sob densas camadas de desilusão, dor e ressentimentos por anos a fio, sem pausas, num trabalho árduo de garimpagem. Porque tinha a resolução de buscar os sonhos que não mais sonhava. Os desejos que tinha e não satisfiz. Tanta coisa transformada em derrota e que queria converter em vitória. Meus sonhos, que apareciam brilhando como estrelas pequeninas encravadas no negro material da desesperança, fui os resgatando um a um. E agora quero ensinar a todos como buscar em nós mesmos sentimentos que julgávamos haver sido excluídos de nossa história.</p>
<p style="text-align:justify;">Sigam direitinho a receita:  munam-se de picaretas, carrinhos de mão e pás. Escavadeiras não, que máquinas pesadas podem destruir estes sentimentos que são demasiadamente frágeis. Comecem o trabalho e não se desiludam com as primeiras camadas de rocha dura que encontrarem. Já os advirto com antecedência, não é, de maneira nenhuma, um trabalho fácil e prazeroso. Ao contrário disso: no caminho encontram-se muitos sonhos caducos. Histórias inconclusas, medos esquecidos. Um material enorme que os podem fazer desistir. Mas tão logo passem por isso, encontrarão a perseverança que há muito julgavam sumida. E não é que estava simplesmente escondida em vocês? Com o reencontro da perseverança, continuem cavando, mais forte e mais profundo. E então, redescobrirão a fé, que surge como a crença de que logo se encontrará tudo que perderam. Seguindo por dentro da mina que construíram em si, a luz começa a rarear e o ar a ficar escasso. O trabalho torna-se insalubre e perigoso. Mas já munidos de fé e perseverança nem esses percalços são suficientes para fazê-los desistir. Vão descendo, cada vez mais, para o lugar mais recôndito em seu espírito. Nas paredes da memória vocês encontrarão veios dourados de sentimentos, entre eles, a coragem e a felicidade que sempre souberam possuir, mas que não sabiam onde encontrar. E também os antigos sonhos como diamantes piscando nas rochas em que foram retidos. E somando-os com os sonhos que possuem agora, o faz de conta vira realidade. Os desejos de hoje concluem os de ontem. Os medos são vencidos, as histórias, terminadas e dá-se início a outras. Só cuidem para que, no caminho, não ocorram deslizamentos. A substância escavada é muito instável. Pode ocorrer de lhes prender eternamente no passado que guardam dentro de si mesmos. Então, lá se vão anos de trabalho incansável. Porque sem poder fugir dessa mina, jamais poderão usufruir do hoje. Verão tudo pelas lentes douradas do passado. Sem se darem conta que a vida é o aqui e agora. Por isso, não se detenham muito tempo dentro dessa mina. Procurem, tão logo redescubram tudo que julgavam perdido, fugir dela antes que desabe. Assim, de posse dos sentimentos velhos, procurem não conflitarem estes com os novos. Nem sempre o passado é compatível com o presente. E, portanto, muitos sonhos velhos deverão ser recauchutados, mesclados com os novos, para que assumam um novo aspecto.  Porque fantasias de super-herói não são recomendadas a adultos de trinta anos de idade. (Caso vocês não sejam atores de Hollywood, podem pensar que estão loucos.) Então converta esse sonho em algo novo. Por exemplo, tornem-se os heróis de sua própria história. Pode não haver lutas com vilões de <em>collant</em>, mas há outras batalhas, como lutar para formar-se na faculdade. Vencer num trabalho, mesmo que este não seja o mais desafiador. Ou escrever um livro, mesmo que não venha a ser o mais lido de todos os tempos. (Nem todos escrevem sobre magos mirins, bruxos e bruxas). Os presentes, que não vieram pelo Papai Noel para vocês, conceda-os aos seus filhos. É uma ótima maneira de resgatar um sorriso que se mostrava perdido. E tem ainda a vantagem, de você poder brincar com as crianças para lhes apresentar um brinquedo que sempre quis ter. Desilusões podem ser vencidas! “Quando tudo está perdido sempre existe um caminho.” Cantava Renato Russo. As ilusões não estão todas perdidas. Contradizendo Cazuza. Nessa luta que travamos com o destino, podemos sair vitoriosos. (Como não acreditávamos que pudéssemos). E mesmo que não tenha recebido o ursão que sempre quis. Posso alimentar minha alma de bons sentimentos para fazer-la crescer. Muito falei nesse texto sobre meus sonhos, sentimentos, desejos e as maneiras que criei para buscá-los. Advirto-os que tentem também criar sua própria receita. Mesmo que não venham vendê-las por aí em livros de auto-ajuda que somente ajudam aqueles que os escrevem. Nem sempre é fácil ter uma receita de sucesso. É tudo feito através de erros e tentativas, testando caminhos, batendo com a porta na cara muitas, inúmeras, vezes. (Quem disse que viver é fácil?) Frustrações ocorrerão. É inevitável.  Mas o essencial é saber começar de novo. Vai valer à pena. Acreditem. Quando, no fim de tudo puderem olhar para trás, terão certeza de jamais houveram desistido. O sucesso é um caminho, não um fim. Creiam no que lhes digo. Tudo que construíram e mesmo o que ruiu é uma pequena parte de vocês. Seguindo essa receita de sucesso garantido, não há como falhar, e se falharem, não há problema, o essencial é, levantar após a queda, bater a poeira e seguir por outra direção. A vida, no fim, não é feita de fórmulas mágicas, tão somente de sonhos, sentimentos, fé e perseverança.</p>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 01:16:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E se você nunca voltar? Giordana Medeiros  Venho pensando em algo nestes dias nos quais a solidão se tornou normal para mim: e se você nunca voltar? Será que ainda poderei ver nas nuvens o que não tenho em vida? Quando observo o sol entre os galhos das árvores, acredito que o passado ainda persiste [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1267&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;" align="center"><a href="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2011/12/nc3a3o.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1268" title="não" src="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2011/12/nc3a3o.jpg?w=240&#038;h=160" alt="" width="240" height="160" /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>E se você nunca voltar?</strong></span></p>
<p align="right"><span style="color:#0000ff;">Giordana Medeiros </span></p>
<p style="text-align:justify;">Venho pensando em algo nestes dias nos quais a solidão se tornou normal para mim: e se você nunca voltar? Será que ainda poderei ver nas nuvens o que não tenho em vida? Quando observo o sol entre os galhos das árvores, acredito que o passado ainda persiste no hoje, mesmo que de outra forma. Saudade é lembrança que permanece. A dor diminui, mas jamais se ausenta. É assim. Ainda fico horas olhando pela janela, acreditando que sua imagem vai aparecer na esquina. (Um dia, quem sabe?) Seu sorriso ainda me assombra os sonhos. No início, chorava desesperadamente, agora as lágrimas são calmas e perenes. Sei que ainda sinto. Sentir é verbo permanente. Pode se conjugado no pretérito ou futuro. Mas sempre estará presente. Quero, como alguém que tenta vencer os fatos, esquecer. Mas sei que amor marca feito tatuagem. E você está aqui gravado em letras garrafais em meu coração. Sei que há algo em mim que ainda acredita em seu retorno. &#8220;É impossível&#8221;, minha mente me diz. Porém meu coração tenta me fazer crer do contrário. (Tonto&#8230;) Eu sigo alimentando as memórias que você deixou. São sementes, não vê? Em breve será uma bela e frondosa árvore.  Descansarei sob a sombra da solidão, em que jaz toda saudade. Ainda há tanto a se falar. Deveria ter dito o que sentia antes de você ter me deixado. (Para sempre?) Por que falhei tanto com você? Queria que pudesse responder-me se foi realmente um engano. (Foi?) E se tivesse sido, se pudesse, se houvesse e se fosse, em fim? E se você não voltar mais? O que devo fazer? Meu coração não se acostumou com sua ausência. Minhas lágrimas não são suficientes para vencer o destino que nos separou. (Como reescrever uma vida?) Quero ter em mãos a caneta que determina o amanhã. A mesma que também transforma o que foi.  E com o poder de mudar o que foi e o que será, posso trazer você para perto de mim. Posso descansar a cabeça sobre o travesseiro, mas invariavelmente é sua imagem que habita em meus pensamentos. Estou aqui, perdida sem suas palavras. Subitamente, viver se tornou tão mais difícil. Sei que há enigmas pendentes de resolução, que tenho muitos afazeres e, como se diz, “missões a cumprir”, todavia, sem seu auxílio, a palavra amiga que me confortava sempre, fica quase impossível continuar. Estou, aos poucos, cedendo à lógica. Talvez nos vejamos somente daqui a vários anos. As águas passarão incessantemente sob a ponte. O relógio vai correr veloz, muitos poentes se seguirão. Mas nem mesmo o tempo, (que se julga cura para tudo), poderá apagar o que você foi para mim. E, quando me faltarem palavras, ainda me restará o silêncio de minha dor. Você era o mais forte. Era o que sempre superava tudo. E que vivia alegre apesar de todas as circunstâncias, por que se foi tão rápido? Sem nem ao menos se despedir? Ficou no espírito uma ferida bem profunda, que vez ou outra sangra, como agora, que penso ouvir sua voz dizendo-me, com tanto amor, como eu era importante. Nunca mais me senti assim. Fico inconsolável, nego os fatos. Não foi assim. Não pode ter sido. Você era invencível! E vem a realidade desmitificar todas as nossas crenças. E se você não voltar mais? Deverei ser eu a ir procurá-lo? E, se eu for, nos encontraremos? Há possibilidade de tudo em que acreditei a vida inteira existir verdadeiramente? Queria desmontar todas as mentiras que nos contaram desde a infância, coisas que nos conferem falsas esperanças, como a possibilidade de ganhar um presente de Natal porque um “bom velhinho nunca esquece ninguém”, (mas acreditem: ele jamais se recorda). E o pior, quase sempre fui abandonada em minha fé. Minhas tolas expectativas foram transformadas em desilusões rápido demais. “Viver é melhor que sonhar.” Todavia tenho vivido de sonhos por tempo demais. Vida e morte são palavras desconhecidas para mim. Não sei nada sobre elas. A morte não me quis e a vida me abandonou. Estou um tanto perdida nesse universo. Nem sei por onde devo seguir. Fico caminhando às cegas, no breu da existência, procurando um atalho para o destino em que quero estar. Mas sempre acho que errei na última curva. (Deveria ter seguido em frente?) E com tanto medo de voltar e começar de novo, vou aceitando o que me ditam as pessoas. (Por quanto tempo?) Só queria que estivesse aqui. Ver-lhe uma única vez apenas, para ter a certeza que está bem. Gostaria de saber se pode ouvir-me.  Pode entender a falta que me faz? A minha mente volta alguns anos, para provar que era feliz. (Eu era?) O que é ser feliz? Será que poderia retornar para dizer-me? Será que fecho os olhos para a alegria? Que me desfaço dos doces momentos para alimentar os desastrosos? Queria chorar como criança, para ter aquilo que desejo. Mas quando crescemos descobrimos que nem mesmo nossas lágrimas mais sentidas podem nos conferir o que precisamos. (Sonhos são construídos de ações, não de lágrimas).</p>
<p style="text-align:justify;">Minhas palavras se perdem na folha em branco. Ora aqui, ora ali, estou me tornando mais clara. Não quero que me compreendam. Sou uma confusão permanente. Dúvidas são como nossas sombras, sempre nos acompanham. Ao meio dia pisamos sobre elas e, próximo ao poente, elas nos precedem. Na realidade, tudo é assim também. Estamos sobre as mais intricadas questões no meio de nossas vidas, perto do fim, elas estarão à nossa frente.  E será que chegamos a resolvê-las? Será que pode responder-me? Chegaremos a terminar esse quebra-cabeça que nos desafia? Um jogo de milhares de peças, que levamos toda a nossa existência tentando montar. E se simplesmente nos desfizéssemos de tudo? Não levássemos a vida tão a sério&#8230; (Como você fazia, não é mesmo?) Tenho medo de abandonar todo este lixo que vim acumulando&#8230; Sabe, é nesse interregno entre os nadas que ocorre tudo.  Saímos do nada para lugar algum. Mas sempre queremos fazer do que se dá no caminho algo que valha a pena se ver quando chegarmos ao final. Queremos acumular dinheiro e bens que na morte não poderemos levar conosco. Queremos aproveitar a vida ao máximo, (porque a achamos muito curta), para que nos sintamos realizados. Será que o essencial não seria apenas sermos felizes? E, mais uma vez, me pergunto, de onde vem a felicidade? Quando você se foi, não tive tempo de questionar onde a havia deixado. E, nesse momento, não me culpe se não a encontrar. Sei que, perdida no meio deste oceano de possibilidades, sempre acho que sigo por rotas erradas, ou deixo levar-me pelas correntezas. E se você nunca voltar? Será que conseguirei seguir sozinha? Minhas pernas doem, depois de tanto caminhar, sinto-me ainda muito distante. (De quê? De onde?) Será que pode sibilar no meu ouvido as respostas mais difíceis? Prometo tentar encontrar as mais fáceis. (Há alguma solução fácil?) Sempre me pergunto se teve tudo que quis. Será que se sentia feliz com aquilo que conquistou? Deixou muitos sonhos para trás? Ficaram aquelas histórias que tanto nos divertiam. Ainda me ocorre de pensar nelas. Nunca esquecerei, não é mesmo?  Estou aqui, nessa estação, com as malas aos meus pés, pensando se devo realmente fazer esta viagem. Você me acompanharia? Tenho medo de estar sendo fraca em abandonar os antigos sonhos para acolher novos. Será que isto seria covardia ou coragem? Sei que sempre me apoiou em todas as minhas escolhas. Acho que amor é, antes de tudo, apoio e amizade.  Eu não posso esconder a dor. Quero realmente que esteja comigo. Porém, creio que, nesse momento, tenho de prosseguir sozinha. (Mesmo que não possa pegar minha mão agora). Serei forte como você ensinou-me a ser. Minha mala pesa. (É muita bagagem para uma vida só). Mesmo assim, creio que me esqueci de algumas coisas. São pequenas palavras que faltaram, gestos que não se concluíram. (Eu nunca tenho tempo de fazer tudo que planejo). O trem apita, tenho de embarcar. Agora sou eu que vou. (Mas não para a terceira margem do rio que lhe levou, não ainda). Creio que tenho muita coisa para fazer. (Não sei se valerá à pena, se poderá ser uma história a se contar no futuro&#8230;) Não quero rever meu passado ainda. Deixe-me construir o futuro, que o prédio ainda está pela metade.  Minha mágoa é que seu sorriso não premiará meus feitos. Eu perdi tanta coisa. Acho que a vida é feita de grandes derrotas e pequenas vitórias.  Devemos valorizar tudo o que obtivemos. Mesmo que seja muito, muito pouco. Não são baixas expectativas. É que, aprendendo a sorrir para as vitórias, as derrotas não ferirão tanto. Por que ainda olho em volta a procura de seu rosto? (É o fim?) Mas, e todas as coisas que deixei para trás? Será que é seguro abrir novas estradas nessa selva inexplorada? Sinto o coração aos saltos. (Tem mesmo de ser desse jeito?) Por que sempre vacilamos no momento derradeiro? Por que não sou tão forte quanto você? Sou frágil, tenho medo. É difícil abandonar um sonho, ainda mais quando se lutou tanto por ele. Entretanto, é o que faço neste instante. Com um aperto no coração. Sem saber se é o certo a fazer (nunca  é). Vou embarcar nessa nova viagem para lugar nenhum. (O importante é a viagem, não o destino). Tenho bilhetes só de ida. Não voltarei, ninguém voltará. Isso é o mágico da vida. Não há retorno, somente despedidas. Sei que ainda espero por você. Sabe onde me encontrar, não é? E, mesmo que ocorra de você nunca voltar, aguardarei o momento certo para ir ao seu encontro. Porque sei exatamente onde você está.  E numa ilusão mágica, (será loucura?), vejo-lhe acenar para mim de longe. “Um dia, um dia”, repito baixinho. Observando sua imagem que está tão somente em meus sonhos. E, neles, você ainda está comigo. (Você sempre esteve, não é?).</p>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 19:36:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A escritora</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Sonhos ao mar Giordana Medeiros Sempre sentindo, mesmo quando não cabe sentir. Seguindo, mesmo que não se abram caminhos. Numa utópica procura que não tem sentido algum. (E será que deveria haver significados?) Onde me procuro não me encontro e onde eu me encontro eu não me procuro. Labirintos de mentiras e calabouços de verdades. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=moncoeursauvage.com&amp;blog=1763479&amp;post=1259&amp;subd=moncoeursauvage&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;" align="center"><a href="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2011/11/mensagem-na-garrafa.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1261" title="mensagem na garrafa" src="http://moncoeursauvage.files.wordpress.com/2011/11/mensagem-na-garrafa.jpg?w=240&#038;h=161" alt="" width="240" height="161" /></a></p>
<p align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>Sonhos ao mar</strong></span></p>
<p align="right"><span style="color:#0000ff;">Giordana Medeiros</span></p>
<p style="text-align:justify;">Sempre sentindo, mesmo quando não cabe sentir. Seguindo, mesmo que não se abram caminhos. Numa utópica procura que não tem sentido algum. (E será que deveria haver significados?) Onde me procuro não me encontro e onde eu me encontro eu não me procuro. Labirintos de mentiras e calabouços de verdades. A vida desmoronando sobre si. Eis que os prédios se desfazem com a força das águas. Meus castelos de areia erigidos com tijolos de solidão e cimento de saudade. Nada mais instável que colunas de melancolia. Por isso ruem nossos sonhos com o contato do mar. Só no oceano sonhos podem ser finalmente infinitos. Água salobra que não mata a sede, mas afoga o espírito. Ondas de desespero vêm e vão. Correntes que levam para longe ou aquelas que nos prendem os corpos?  Carregando-as por toda eternidade,(eis sua pena), ou talvez ser levados por aquelas ao infinito. Universo é mar que não têm água. É na galáxia que se navega. Espaçonaves de desesperança que trazem em si o que queríamos. (O que queríamos mesmo?) Minha mente apaga todo o passado. Afastando para bem longe o que se foi. E agora o que se é? O que somos? O que sou? Procurando significados em dicionários sem verbetes. Está em algum lugar. Mas nem sei se é isso que preciso mesmo. Preciso de som, preciso de luz, preciso de uma alma livre e errante. Cometa que não segue órbitas regulares. Sou assim: um tanto rebelde. Nem sempre é possível entender o que não se pode ver. Mas é nisso que se sustenta a fé. Não me vêem? Não me sentem? Não me escutam? É porque na realidade sequer existo.  Essas coisas que chegam trazidas pelas águas não são garrafas portando mensagens, são sentenças determinando destinos. O oceano espuma violência e mistério. Mesmo assim, iça-se a vela, levanta-se a âncora e segue-se para o mar. Sei que a vida derrama segredos. Mas guarda todos para si. É minha caixa de Pandora particular, em que estão todos meus pesadelos e, ainda, tudo que me desnorteia. Sei que posso deixar solidão debaixo do travesseiro. Uma noite de promessas esquecidas nas luzes das estrelas que não podemos alcançar. Guardo no coração um milagre. É minha fé cega num evento de que todos duvidam. Tenho muitas ilusões quanto ao mundo, acredito que ser não pode ser transformado em ter ou ver. Mesmo que queira que a vida seja crer também. Mas não é que sibila para mim a brisa abençoada de um dia de verão: “só somente ser”. Quero ter nas mãos o coração que imprime ritmo. Sentir bater desesperado, como se a vida pudesse fugir. (E se pudesse mesmo?) Lavando os degraus da escadaria que não se deixa escalar. É verdade que uma confusão de palavras fazem do pensar algo um pouco mais poético. Juro que nem quero fazer poesia. Sou da prosa, longa arrastada, como um papear largado num banco da praça no fim de semana. As lembranças jorram em cascatas, mas deixo tudo escorrer longe de mim, que nem quero lembrar mais. Vou esquecer-me de tudo, desde o tempo em que as estradas eram seguras. Quando não perambulavam sonhos aqui e ali. Sonhos são larápios que nos tiram da rota, furtam-nos dinheiro e tempo. No fim era melhor não tentar correr atrás desses vigaristas. Reagir a um assalto é extremamente arriscado. Sei que quando tentamos alcançar os sonhos eles se tornam mais distantes. Tudo que precisamos é ter uma dose de bom senso. Nem sempre aquilo que queremos verdadeiramente é o sonho que vivemos. A vida tira o sabor das coisas. Quando era sonho, era lindo. Mas tente fazer do fictício um fato real, fica tudo igual a esse texto de emoções jogadas num papel. E como sei que ninguém vai ler mesmo. Tanto faz se eu colocar aqui um tanto de besteiras. (Será que já não o são?) Nem um único olhar correrá por estas linhas. E carente de atenção, o sonho que, de idéia, virou matéria, nem saberá onde ficar. Sem lugar para estar, entra sorrateiramente num clique desprevenido. Imagina que pode ser mais do que é. Pobrezinho. Seja isso: solidão. Seja aquilo, sentimento. Seja tudo, coração. As palavras pulam leves no teclado. Aqui e ali tem um botão de rosa. “Para você que me quer bem.” (Quem?) Sorrisos amarelos, são alegrias inexistentes, desconcerto no momento da ironia. Mente para si. Não para os outros. É bem difícil disfarçar. É gritante a verdade estampada no rosto. Luminosos de sinceridade numa expressão que tenta demonstrar satisfação. (Não é?) Minhas muitas vidas vão ficando na estrada. Vou me desfazendo dos bens materiais e etéreos. Solidão não se pode tocar. (Mas e as garrafas que recolhemos no mar?) Eram sonhos que se misturaram a espuma de imensidão.</p>
<p style="text-align:justify;">Pela janela queria ver o ritmo das aeronaves que ora sobem, ora descem. Com o estrondo das turbinas até me apavoro. (Acidentes que me povoam os sonhos podem guardar em si uma fuga para a realidade?) O problema que nem se vê em mim o que procuro lá fora. (Uma porta na parede sem saída que nos mostra o destino?) Sei que as noites são mais belas aos olhos que ao espírito. O silêncio inquietante da madrugada&#8230; (Há algum desejo esquecido numa moeda arremessada na fonte?) Quero ser como o mar que desafia, quero ser como as estrelas que brilham mesmo distantes. (Podem nos ouvir?) Mas não quero ser como a lua. Presa na órbita da Terra, sem brilho próprio, dependendo da caridade dos outros astros para se iluminar. Sempre buscando em mim respostas que não posso dar. Sempre encontrando para as perguntas soluções que não queria sequer receber. Num perigoso jogo de cartas em que as fichas são os nossos sentimentos. “Quatro ases, a casa venceu”. E lá se vai tudo que se sentia. Tudo que um dia foi e se perdeu. Minhas emoções foram confiscadas. Nem tenho como pagar as apostas. É que são tantos a quem deixei um pedaço do meu coração que nada mais tenho dele. Aqui e ali bate um pedaço do que fui. (Ou sou, vai saber&#8230;) Procuro nas palavras, essa queda abissal em si, uma razão para as dúvidas que me atocaiam. Sempre serei, mesmo não que não possa ser-rei. Quero estar na plebe e no anonimato dos rostos dos quais não se guardam feições (O que você é? Sou um rosto. E você? Uma promessa. O que você faz? Eu me perco entre as pessoas. E você? Eu engano as pessoas. Elas são meio burrinhas, não é?) Minha jornada é uma viagem sem volta ao mais recôndito lugar de minha mente. Tentando ser impenetrável. Como se, em minha volta, pesadas placas de chumbo me protegessem do mundo. Ninguém pode me tocar. Nem me ver. Mas, se não me vêem, estou sozinha e, aqui abandonada, tenho medo de tudo. A chuva batiza as paredes de lágrimas, o verão não mudou. Tempestades acontecem sempre. Quase nunca se está preparado para elas. (O que se há de fazer?) Nem bem nos reerguemos após o furacão, lá está outro nos espreitando, na esquina. Esqueci de dizer que há ainda um castelo que sobreviveu às ondas.  Está escondido, longe do apelo do mar, (das ondas que quebram violentas na praia). É este aqui que trago comigo. Essa construção que supera qualquer outra. É prédio de colunas de ressentimento (bastante duradouras), tijolos de mágoa e cimento de amargura. Eis um edifício que resiste facilmente às vagas que não deixam de atacar. É deveras mais forte que a força dos oceanos. Lanço promessas no mar. (Quem irá recolher-las?) E minhas dúvidas mantenho-as comigo.  Bem guardadas no castelo indestrutível que não se subjugou ao poder do oceano. Sei que as horas se adiantam, em breve o sono chega, e o que aqui escrevi, o que arranquei do peito, ficará tatuado no<em> ciber</em>-espaço. Ninguém jamais esquecerá. (E se nem quiserem ler? Mais um texto abandonado na confusão de redes e bites. Neste oceano que também não afoga, mas, como o universo, é infinito onde também navegamos. É possível se conceber o eterno?) Até onde vai o que não vemos? E todos esses escritos que não lemos? Histórias sem leitores são como se nem ao menos tivessem sido escritas. Minhas memórias são um pedaço de mim, que não pode ser visto. Um livro aberto que jamais foi lido. É o que apresento nessas breves linhas. Mas não se enganem não são eu. Absolutamente. Sou uma mistura de coisas que jamais compreendi. E nesse emaranhado de eus, vou descobrindo um estado muito diferente do que sentia. (Será uma armadilha?) Sei que as ruas se estendem sob a chuva incessante. Aqui e ali, ainda um último uivo. Um cão que se perdeu. (Só ele?)  Um carro que segue veloz pela estrada. (Será que sabem o caminho?) E, nas mãos, um sentimento perdido que por muitos anos vagou nas águas revoltas do oceano. Quais aventuras não desfrutou no ir e vir das ondas? No vazio absoluto, sem uma mão que abrisse a rolha e libertasse o poema que trazia em si. Salvo das ondas o invólucro de sonhos. Limpei primeiro, para que pudesse ser mais fácil ver-lhe o conteúdo.  Então, com grande emoção saquei a rolha. Não sabem os estranhos pensamentos que me vieram, quando pude resgatar de seu interior, o pergaminho envelhecido. Sem mais me demorar disse num suspiro: “pronto, está livre.”</p>
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